A neuropsicologia estuda e compreende de forma detalhada as funções cognitivas e as suas especificidades. Este conhecimento detalhado das funções permite, por exemplo, trazer informação acrescida para questões relacionadas com o modo como funcionam as aprendizagens e as dificuldades escolares.
Uma criança que “esquece-se de tudo” pode revelar um problema não mnésico, mas atencional, não dirigindo os seus recursos cognitivos para o material a aprender. Ou, no caso de dificuldades mnésicas, a distinção entre o que é uma dificuldade de codificação ou uma dificuldade de recuperação pode implicar estratégias distintas para minorar esta dificuldade.
A identificação e compreensão da dificuldade funcional/cognitiva é a base de uma correta elaboração de um plano personalizado de intervenção com o jovem.
Com o envelhecimento é normal que as capacidades adquiridas venham a sofrer uma diminuição. Deixamos de possuir a mesma robustez física, a nossa acuidade visual e auditiva é inferior e também a nossa capacidade cognitiva vai sofrendo alterações. A dificuldade é perceber se se trata de envelhecimento normal ou patológico. A distinção nem sempre é fácil.
Esta perda não é repentina, havendo um período caracterizado pelo aparecimento dos primeiros sinais, mas que não são suficientemente graves para interferir com as atividades de vida diária. Denominado Défice Cognitivo Ligeiro (DCL), esta fase, é considerada um pródromo de demência, ou seja, um conjunto de sinais que pode indicar a instalação de um quadro demencial. Outras situações existem em que a perda de capacidade cognitiva é secundária a outras patologias (sendo a depressão uma das mais frequentes). Nestes casos o atingimento cognitivo é, habitualmente, reversível quando superada a patologia de base.
Considera-se o envelhecimento patológico quando existe uma perda da capacidade cognitiva acima do esperado para a idade e escolaridade e com reflexo nas atividades de vida diárias. Esta perda, progressiva e irreversível, pode afetar as capacidades de atenção, planeamento, reconhecer pessoas, objetos ou locais e, mais habitualmente, a memória.
São considerados sinais de alerta a maior dificuldade na realização de atividades do dia a dia: nas tarefas domésticas (esquecer o fogão que ficou aceso), em lidar com dinheiro (o troco que insiste em vir errado), na condução (incumprimento do código da estrada sem crítica), alterações nos hábitos de higiene (aparência descuidada), modificações do humor (aumento da irritabilidade ou, por outro lado, da apatia) e mesmo da conduta (tornar-se mais implicativo).
Para o diagnóstico importa avaliar e compreender o estado mental do indivíduo, pelo que a avaliação neuropsicológica assume particular destaque, recolhendo informação objetiva sobre as funções cognitivas preservadas ou sobre os défices adquiridos. Esta permite uma melhor compreensão do quadro, contribuindo para a definição do acompanhamento médico mais adequado, auxiliar na definição de estratégias para que os défices encontrados sejam atenuados e fornecer orientação à família/cuidador.
Torna-se determinante realizar uma avaliação inicial (baseline) que consiga caracterizar o funcionamento do individuo e posterior acompanhamento que devolva elementos sobre a condição deste, se esta evolui, de que forma e com que velocidade.
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