A Terapia da Fala pode constituir-se como um apoio fundamental para famílias e crianças com:
- dificuldades em fazerem entender-se, em organizar o seu discurso para recontar histórias ou acontecimentos.
- alterações articulatórias na fala, isto é, trocas entre alguns sons que tornam a fala menos inteligível.
- dificuldades relacionadas com um vocabulário pobre. Hesitações na rechamada de palavras.
- dificuldades em ter uma fala fluente. Episódios de gaguez mais ou menos persistente.
- dificuldades em entender instruções orais ou enunciados escritos.
- rouquidão persistente, garganta a arranhar ou episódios de afonia.
Destacamos também a intervenção do terapeuta da fala nas Perturbações da Relação e da Comunicação (Perturbações do Espectro do Autismo – PEA)
Diferentes formas de comunicar são adquiridas naturalmente pelas crianças: o olhar, o apontar, imitar e até o mostrar. Os bebés naturalmente aprendem a partilhar aquilo que vêm e experienciam. Assim, quando começam a falar, aplicam todas estas competências de forma integrada e espontânea. Nas PEA, estas capacidades estão seriamente comprometidas ou até mesmo ausentes, motivo pelo qual, quando estas crianças começam a comunicar não se adaptam socialmente, são disfuncionais e desadequadas.
Assim, qualquer intervenção feita por um Terapeuta da Fala nas PEA vai centrar-se na comunicação como um todo e não só ao nível da linguagem. Com o objetivo de desenvolver competências pré-comunicativas, para que quando a oralidade (ou outra forma de comunicação) surja se possa desenvolver de uma forma mais adequada e funcional. Promover, com base na iniciativa da criança, as suas capacidades de compreensão e desenvolver a sua própria forma de comunicar ajudará a criança a ser mais ativa e participativa com as pessoas e o mundo que a rodeiam.
Despertar o interesse e promover o prazer na partilha é a base de todas as competências comunicativas. Enquanto a criança não experienciar e viver o prazer e o poder da comunicação, não entender a utilidade que tem para ela, não podemos esperar que a utilize, muito menos de uma maneira adequada e funcional.
A linguagem está sempre comprometida com PEA ou só em algumas situações?
Sim, em geral existe um comprometimento ao nível da comunicação e da linguagem. Existe uma perturbação da comunicação, um défice ao nível da intenção comunicativa, na forma como se dirige e troca informação com o outro. Na ausência de linguagem oral, são crianças que não acedem a outras formas para compensar a não existência de palavras, como gestos e expressões faciais, por exemplo.
Pode ou não existir um atraso ao nível do desenvolvimento da linguagem, ou seja, a criança até pode ter, em termos de competências e conteúdos, um desenvolvimento dentro do esperado para a sua idade, mas há um desajuste e uma especificidade na forma como os utiliza, há por norma uma rigidez acentuada, uma utilização estereotipada e repetitiva dos recursos linguísticos. Existem ainda casos que apresentam um discurso demasiado elaborado para a sua idade cronológica e que falham depois na forma como o dirigem ou não, adequam ou não ao outro.
O QUE VAI O TERAPEUTA DA FALA FAZER com a criança?
O Terapeuta da Fala poderá trabalhar em equipa multidisciplinar para avaliar. Em idades precoces é fundamental assegurar que todo o desenvolvimento global (para além do desenvolvimento da linguagem) ocorre de forma harmoniosa e de acordo com o esperado para a idade. É frequente que alguns dos sinais de alerta, surjam associados a outras perturbações para além das de linguagem.
O Terapeuta da Fala utilizará provas formais de avaliação, mas também irá brincar para que, de forma informal, consiga observar e avaliar os perfis comunicativos espontâneos da criança.
Vai procurar perceber se:
- Sabe o que fazer e como fazer com os brinquedos?
- Se tem ou não, ou como é, o seu jogo imaginativo?
Vai avaliar a comunicação não verbal, na ausência de palavras como comunica, se olha, se faz gestos, se dirige para o outro, e acima de tudo a intenção comunicativa.
E, em termos de linguagem mais propiamente dita, na componente compreensiva e expressiva, o Terapeuta da Fala vai avaliar, se a criança:
- Segue instruções?
- Identifica e nomeia objetos e ações do dia-a-dia?
- Conhece as cores, números e letras?
- Segue e respeita rotinas diárias de casa e do jardim-de-infância?
- Canta ou trauteia canções?
- Adequa o seu discurso em função das pessoas e/ou locais onde está?
- Tem capacidade de obter e/ou comunicar o que precisa e/ou quer, em casa, numa brincadeira e no jardim-de-infância? Que estratégias e/ou recursos tem e utiliza para o fazer?
O Terapeuta da Fala vai observar se o discurso da criança é inteligível, se é compreensível pelos outros. Vai fazer o inventário dos sons que a criança produz e comparar com o que é suposto fazer naquela idade. Que sons produz e como produz, observar a forma como utiliza os seus lábios, língua e dentes para produzir os sons de fala, pedindo para que repita e imite sons e palavras.
Esta avaliação permitirá perceber se todas as competências comunicativas e linguísticas se estão a desenvolver de acordo com desenvolvimento esperado para a idade cronológica da criança. Caso não estejam, esta avaliação será fundamental para definir objetivos e áreas de intervenção, bem como fazer os encaminhamentos necessários para assegurar que terá resposta em todas as áreas comprometidas.
Está preocupado? Tem dúvidas em relação à linguagem da criança? Acha que alguma coisa não está bem mas não consegue identificar bem o quê? Procure ajuda, não ignore os seus instintos. Uma resposta precoce pode fazer toda a diferença.
A Terapia da Fala abrange uma variedade de áreas de intervenção em idade escolar que vai para além dos aspetos da fala.
O terapeuta da fala pode avaliar e intervir junto da criança ou jovem com dificuldades em comunicar com os outros, na linguagem oral, voz, leitura e escrita e fluência (gaguez).
A partir da entrada para a escola primária, começam a colocar-se exigências cada vez mais complexas tanto do ponto de vista da interação social, como da linguagem oral e escrita. A Terapia da Fala pode constituir-se como um apoio fundamental para famílias e crianças ou jovens com:
- dificuldades em fazerem entender-se, em organizar o seu discurso para recontar histórias ou acontecimentos.
- alterações articulatórias na fala, isto é, trocas entre alguns sons que tornam a fala menos inteligível.
- dificuldades relacionadas com um vocabulário pobre. Hesitações na rechamada de palavras.
- dificuldades em ter uma fala fluente. Episódios de gaguez mais ou menos persistente.
- dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita, sobretudo na memorização das letras e dos seus sons.
- dificuldades em entender instruções orais ou enunciados escritos.
- rouquidão persistente, garganta a arranhar ou episódios de afonia.
O Terapeuta da Fala pode ajudar a compreender a origem das dificuldades apresentadas e sugerir um plano de intervenção focado nas capacidades e dificuldades da criança/jovem que vise a promoção do seu sucesso pessoal e escolar.
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