Especialidade

Perturbação da Relação e da Comunicação

Idade Pré-Escolar
Intervenção intensiva para crianças com sinais precoces de Perturbação da Relação e da Comunicação

O programa de intervenção precoce CADIR dirige-se a crianças que apresentem sinais de Perturbação da Relação e da Comunicação  (Perturbação do Espetro do Autismo), com idade inferior a 4 anos e logo que surjam os primeiros sinais.

“O conjunto das perturbações do espetro do autismo tem sido cada vez mais diagnosticado.
A deteção precoce é importante, pode fazer diferença e afectar positivamente a evolução, porque hoje temos meios de intervenção adequados às crianças pequenas, assim que surgem os primeiros sinais de perturbação da relação e da comunicação.”
Pedro Caldeira da Silva – Pedopsiquiatra

Quando uma criança apresenta sinais de que pode ter uma Perturbação da Relação e Comunicação, é realizada uma avaliação por uma equipa multidisciplinar, ao longo de 5 sessões, com vista à caracterização do seu perfil em termos da interação social, comunicação, comportamento, integração sensorial e de desenvolvimento. Mediante os resultados desta avaliação é elaborado um Plano de Intervenção, adequado às caraterísticas e necessidades da criança.

A intervenção é baseada no modelo DIR (Desenvolvimento, Diferenças Individuais e Relação), desenvolvido nos EUA, na década de 90, pelo Pedopsiquiatra Stanley Greenspan e sua equipa, com uma taxa de sucesso bastante significativa.

É um modelo global e intensivo de intervenção que segue a abordagem Floortime e que inclui as especialidades terapêuticas como Psicologia, Terapia da Fala e Integração Sensorial (Terapia Ocupacional). Pressupõe o envolvimento da família, bem como a articulação com os profissionais do Jardim de Infância que a criança frequenta. Ao longo do processo, a família é orientada pela equipa técnica no apoio do desenvolvimento da criança e nas estratégias para lidar com os desafios relacionais.

Para implementar este programa, o CADIn criou salas, totalmente equipadas para intervenção em Integração Sensorial, de forma a proporcionar oportunidades sensoriais promotoras do desenvolvimento global.

O programa está em funcionamento nos polos de Cascais e Setúbal. O CADIR conta com a supervisão do Médico Pedopsiquiatra Dr. Pedro Caldeira da Silva, especialista no modelo DIR – Floortime, sendo continuamente monitorizado pela equipa responsável e em reuniões periódicas com os pais.

A Perturbação do Espectro do Autismo é uma perturbação do neurodesenvolvimento que afeta o funcionamento mental e que na grande maioria dos casos tem origem pré-natal. O diagnóstico e a intervenção dirigida o mais precocemente possível melhoram o prognóstico.
As manifestações da PEA modificam-se com a idade. A avaliação diagnóstica incide na observação direta da criança, do seu estado mental, bem como dos seus modos de se relacionar e comunicar com os observadores e com os prestadores de cuidados. Deverá ser feita em várias ocasiões e colher informação de diferentes contextos. A colheita de história clínica poderá ser complementada com a utilização de escalas, mas estas devem ser sempre interpretadas no contexto de uma avaliação mais global. (Ref: Norma da DGS “Abordagem Diagnóstica e Intervenção na Perturbação do Espectro do Autismo em Idade Pediátrica e no Adulto”)

O que é que preocupa pais e os leva a procurar ajuda? Em que idade é que isto acontece?
Nos primeiros tempos de vida da criança, as PEA manifestam-se frequentemente por um atraso nas aquisições de desenvolvimento e ausência de comportamentos normais. Por exemplo, limitações nas competências comunicativas não-verbais como o contacto visual, não quer dizer necessariamente que a criança não olhe para o outro, simplesmente pode fazê-lo de forma fugaz ou até mesmo demasiado intrusiva ou ainda, não o fazer coordenado com outras competências como o apontar para mostrar e/ou fazer pedidos.

As primeiras preocupações dos pais nem sempre se centram na presença de comportamentos mais específicos do autismo, como os comportamentos repetitivos e restritos ou estereotipias. Isto explica-se porque a maioria destas crianças apresenta alterações no desenvolvimento nos dois primeiros anos de vida, que nem sempre são identificadas pelos pais, e apenas um grupo mais reduzido apresenta um desenvolvimento normal, seguido de uma perda das capacidades de comunicação e relacionamento social entre os 12 e os 24 meses.
As primeiras queixas dos pais são, por norma:

  • a criança não ouve, por não responder ao nome
  • a ausência de linguagem oral
  • birras frequentes e difíceis de controlar.

Na prática, todas estas queixas se relacionam com a escassez de recursos comunicativos e linguísticos, se a criança não tem como comunicar as suas necessidades mais básicas, as suas escolhas e vontades, a sua reação imediata será o recurso a comportamentos desajustados e a birras, por norma, incontroláveis.

Quanto mais precoce for o diagnóstico e a intervenção, melhores são os resultados ou a idade não tem influência?
Sim, sem dúvida. O diagnóstico precoce permite não só o início imediato da intervenção e de todo o acompanhamento como também a intervenção dirigida e adaptada a esta patologia específica. Está clinicamente comprovado que as crianças que iniciam intervenção em idades precoces têm melhor prognóstico quando comparadas com aquelas que iniciam a mesma intervenção em idades mais avançadas, quer ao nível das competências relacionadas com a aprendizagem quer na melhoria e funcionalidade da sua condição clínica de PEA. Por outro lado, sabe-se também que os programas de intervenção não dirigidos especialmente para as PEA são muito menos eficazes nestas crianças.

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